Loss of Signal (LOS) em Fibra Óptica: O Que É, Como Diagnosticar e Resolver
Se você trabalha com rede GPON, já viu essa sigla no log da OLT dezenas de vezes: LOS. É um dos alarmes mais comuns — e mais mal compreendidos — na operação de um provedor de internet. Esse guia explica o que é, o que causa, como diagnosticar a causa raiz e como resolver cada cenário, do rompimento de fibra ao simples conector sujo.
O que é LOS (Loss of Signal)
LOS (Loss of Signal, ou "perda de sinal") é o alarme que a OLT (Optical Line Terminal) gera quando deixa de receber o sinal óptico esperado de uma ONU/ONT (o equipamento instalado na casa do cliente). Em outras palavras: a porta PON da OLT "ficou surda" para aquele cliente específico.
É importante não confundir os alarmes relacionados:
- LOS: a OLT não recebe mais sinal da ONU (falha no caminho upstream, cliente → central).
- LOSi: a ONU não recebe mais sinal da OLT (falha no caminho downstream, central → cliente).
- LOF (Loss of Frame): o sinal óptico chega, mas os dados estão corrompidos ou fora de sincronismo — geralmente indica sinal degradado, não ausente.
- Dying Gasp: não é bem uma falha de sinal — é um último aviso que a ONU envia usando a energia residual dos capacitores no instante em que perde energia elétrica. Quando ele chega, você sabe imediatamente que a causa foi falta de energia na ONU, não rompimento de fibra.
Na prática do dia a dia de suporte, quando o time fala "deu LOS no cliente X", está dizendo que a porta PON perdeu completamente o sinal óptico daquele terminal — o equivalente óptico de um cabo de rede desconectado.
Principais causas de LOS
O alarme de LOS tem uma característica útil: o padrão de quantos clientes são afetados ao mesmo tempo já elimina boa parte das hipóteses.
| Causa | Afeta | Como identificar |
|---|---|---|
| Fibra rompida (obra, poda, vandalismo, furto de cabo) | Um cliente ou todo um segmento/splitter | Queda simultânea de vários clientes no mesmo trecho; VFL mostra onde o laser para |
| Conector sujo ou mal encaixado | Um cliente | Potência óptica (Rx) muito abaixo do esperado, mas não zerada |
| Curvatura excessiva da fibra (raio de curvatura violado) | Um cliente, geralmente após instalação/mudança | Sinal instável, piora com temperatura; inspeção visual na caixa de emenda |
| ONU sem energia elétrica | Um cliente | Dying Gasp chega junto com o LOS |
| ONU com defeito (laser do transmissor queimado) | Um cliente | LOS persiste mesmo após religar energia e checar fibra |
| Splitter com atenuação alta ou danificado | Todos os clientes daquele splitter | Vários clientes com Rx ruim ao mesmo tempo, mesma origem física |
| Porta PON da OLT com defeito | Todos os clientes da porta | Queda total de uma PON inteira, outras portas normais |
| Água/umidade em caixa de emenda mal vedada | Um segmento, geralmente após chuva | Correlação temporal com chuva; sinal ruim intermitente |
| Roedores danificando o cabo | Um cliente ou segmento, em áreas rurais/periféricas | Rompimento visível em inspeção física do trecho |
Antes de despachar um técnico, sempre olhe quantos clientes estão em LOS ao mesmo tempo e se compartilham a mesma origem física (splitter, PON, rota de fibra). Um cliente isolado aponta para o último trecho ou o próprio equipamento dele. Vários clientes juntos apontam para a rede — e mandar um técnico para cada endereço individualmente é desperdício de tempo e combustível.
Como diagnosticar: potência óptica, alarmes e VFL
Com o padrão de clientes afetados já mapeado, o próximo passo é medir. Três ferramentas resolvem a grande maioria dos casos:
1. Potência óptica (dBm) na gerência da OLT
Toda OLT GPON reporta a potência recebida (Rx) de cada ONU em dBm. Como referência de mercado:
- -8 dBm a -23 dBm: faixa considerada boa/ideal na maioria dos orçamentos ópticos GPON.
- -23 dBm a -27 dBm: sinal fraco, funcional mas no limite — vale investigar antes que piore.
- Abaixo de -27 dBm ou sem leitura: sinal insuficiente ou ausente — LOS ativo ou iminente.
Se o Rx está degradando aos poucos ao longo de semanas (por exemplo de -19 dBm para -24 dBm), é sinal de conector oxidando ou fibra com micro-dobra — vale programar manutenção preventiva antes que vire LOS total e gere uma reclamação.
2. Alarmes da OLT (LOS, LOSi, Dying Gasp)
A tela de alarmes da OLT (independente do fabricante — Huawei, ZTE, Fiberhome, Datacom, Furukawa, entre outros) mostra o tipo exato de alarme e o horário em que começou. Isso já elimina hipóteses: Dying Gasp = energia; LOS sem Dying Gasp = fibra ou equipamento.
3. VFL (localizador visual de falhas / caneta laser)
Para rompimentos físicos, o VFL injeta um laser vermelho visível na fibra a partir da ponta do cliente ou de um ponto intermediário. Em pontos de rompimento, emenda malfeita ou conector com problema, o laser "vaza" e fica visível a olho nu — uma forma rápida e barata de confirmar rompimento sem precisar de um OTDR completo.
Como resolver cada cenário
- Rompimento confirmado: emenda por fusão no ponto identificado (a fusão mecânica é aceitável como solução temporária, mas gera mais atenuação e deve ser substituída).
- Conector sujo: limpeza com kit próprio (lápis de limpeza + álcool isopropílico específico) — nunca usar pano comum ou álcool de uso geral, que deixam resíduo.
- Curvatura excessiva: reorganizar o excesso de fibra respeitando o raio mínimo de curvatura do cabo (varia por fabricante, geralmente 15x o diâmetro do cabo).
- ONU sem energia: verificar fonte, tomada e, se for recorrente, recomendar nobreak para o cliente — quedas de energia curtas custam visitas técnicas desnecessárias.
- ONU com defeito: substituição do equipamento — se o Rx está bom em outra ONU testada no mesmo ponto, o problema é o equipamento, não a rede.
- Splitter degradado: substituição do splitter — normalmente resolve LOS simultâneo em todos os clientes daquele ponto de uma vez.
- Porta PON com defeito: migração dos clientes para outra porta livre na OLT enquanto a porta é substituída ou reparada.
OLT não recebe sinal da ONU (upstream)
ONU não recebe sinal da OLT (downstream)
Aviso de queda de energia na ONU
Sinal presente mas fora de sincronismo
De LOS para churn: por que isso importa além do técnico
Todo LOS que não é resolvido rápido vira uma sessão PPPoE derrubada — e é nesse ponto que o problema deixa de ser só de engenharia e passa a ser de retenção. Um cliente que sofre quedas repetidas raramente reclama todas as vezes: na maioria dos casos, ele simplesmente acumula frustração silenciosa até cancelar.
O monitoramento de PPPoE é o elo entre o mundo físico da fibra e o mundo comercial da retenção: o Retain sincroniza o status de sessão de cada cliente via integração com o ERP (IXC, ISPFY, SGP), identifica quando um cliente específico acumula tempo offline recorrente — muitas vezes causado por um LOS intermitente não resolvido — e usa esse dado como variável negativa no score de churn. Quando o padrão indica vários clientes offline ao mesmo tempo no mesmo segmento, o dashboard já sinaliza isso como incidente de rede, não como falhas individuais — evitando abrir uma OS separada para cada cliente quando a causa raiz é uma só.
Perguntas frequentes
Transforme dados de rede em retenção de clientes
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